A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia avalia que os editais aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para os primeiros leilões de baterias do país oferecem condições para uma disputa competitiva. Segundo a Absae, há cerca de 56 GW de margem de conexão disponível para sistemas de armazenamento, entre cinco e 12 vezes a necessidade de potência estimada para o período de 2028 a 2030, de 4,5 GW a 10 GW.
A estimativa foi elaborada a partir de informações da Nota Técnica do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Nos pontos de conexão com bônus locacional, a margem disponível chega a 13,7 GW. Dos 129 barramentos contemplados pelo benefício, 93 têm espaço para conexão, principalmente na Bahia, no Piauí, no Ceará e no norte de Minas Gerais.
Para a Absae, os dados indicam que a disponibilidade de conexão não deve ser um obstáculo à contratação de potência nos certames. A entidade destaca, ainda, que mais de 6 mil projetos cadastrados apontam para uma disputa intensa, com potencial de ampliar a concorrência e reduzir os custos para os consumidores.
Preços e garantias
A associação considera que os preços-teto aprovados estão alinhados às expectativas do mercado e às projeções discutidas durante a elaboração dos leilões. Os valores são de R$ 1,76 milhão por MW/ano no certame que exige conteúdo nacional e de R$ 1,58 milhão por MW/ano no leilão sem essa exigência.
Segundo a entidade, os preços reconhecem os custos de implantação de sistemas de armazenamento e oferecem condições para atrair projetos sem comprometer a competição.
A Absae também avalia positivamente as exigências de habilitação econômico-financeira e as garantias de fiel cumprimento previstas nos editais. Na avaliação da associação, os mecanismos contribuem para assegurar que os projetos vencedores sejam efetivamente implantados, sem impor barreiras desproporcionais aos participantes qualificados.
A redução das garantias, após a revisão do investimento de referência para R$ 6 milhões por MW, também foi considerada adequada pela entidade.
Participação de novos investidores
Outro ponto destacado pela associação é a possibilidade de participação de transmissoras, fundos de investimento em participações (FIPs) e entidades de previdência. Para a Absae, a entrada desses agentes pode ampliar a concorrência e facilitar o financiamento dos projetos.
As transmissoras agregam experiência na implantação e na operação de ativos conectados à rede elétrica. Já os FIPs e os fundos de previdência podem aportar capital de longo prazo, especialmente em consórcios com outras empresas, compatível com os contratos de 15 anos previstos nos leilões.
A entidade considera que a combinação entre condições econômicas, requisitos de habilitação e diversidade de participantes fortalece as perspectivas de contratação e execução dos projetos, aspectos centrais para o sucesso dos primeiros leilões de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) do Brasil.



