PUCRS instala sistema solar de 400 kWp para abastecer projeto de captura de carbono

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A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) concluiu a instalação de um sistema de geração solar fotovoltaica de aproximadamente 400 kWp em seu estacionamento, em Porto Alegre (RS). A estrutura utiliza coberturas solares, conhecidas como carports, para atender à demanda energética de uma planta experimental dedicada à captura direta de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.

O sistema foi instalado no estacionamento do Portão 4 da universidade e cobre 144 vagas. Segundo a PUCRS, a capacidade de geração estimada é de 50 mil kWh por mês, volume equivalente ao consumo mensal de aproximadamente 140 residências, considerando uma média de 300 kWh por unidade.

A iniciativa integra o projeto DAC.SI (Direct Air Capture), conduzido pelo Instituto de Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUCRS em parceria com a Repsol Sinopec Brasil. As duas instalações — a solar e a de captura de carbono — fazem parte de um projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) viabilizado com recursos das cláusulas de investimento em PD&I da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Energia solar integrada à captura de CO₂

A instalação fotovoltaica foi concebida para se conectar diretamente à planta experimental de captura de carbono. De acordo com Felipe Dalla Vecchia, diretor do IPR, a proximidade entre as duas estruturas permitiu reduzir as necessidades de infraestrutura e aproveitar a cobertura do estacionamento para a geração de eletricidade.

Nos períodos de maior produção solar, o sistema tem capacidade para atender integralmente à demanda da planta DAC. Como a unidade opera em regime experimental, sem funcionamento contínuo durante 24 horas por dia, sete dias por semana, a geração excedente poderá ser aproveitada em outras atividades de pesquisa da universidade.

Quando a produção fotovoltaica não for suficiente para atender à demanda, a eletricidade será complementada pela rede convencional. A integração automatizada busca garantir a continuidade e a segurança operacional dos experimentos.

A utilização de eletricidade solar também permite avaliar o desempenho ambiental da captura direta de CO₂ em condições subtropicais. Segundo a universidade, a menor intensidade de carbono da eletricidade fotovoltaica pode contribuir para reduzir os impactos associados à operação da tecnologia.

Excedente poderá apoiar pesquisas com hidrogênio e baterias

Além de abastecer a planta de captura de carbono, a energia excedente poderá ser direcionada a outras linhas de pesquisa do IPR. Entre as aplicações previstas estão a produção de hidrogênio de baixo carbono, o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis e os estudos com sistemas de armazenamento de energia em baterias.

A universidade também aponta possibilidades de utilização da eletricidade em futuras estações de recarga para veículos elétricos.

No campo dos combustíveis, os estudos envolvem opções como o combustível sustentável de aviação (SAF), o óleo marítimo de gasóleo (MGO) e o Diesel R. Essas rotas podem envolver a combinação do CO₂ capturado com hidrogênio de baixo carbono para a produção de combustíveis sintéticos.

A infraestrutura poderá, assim, servir como plataforma experimental para avaliar tecnologias que conectam geração renovável, captura de carbono, armazenamento de energia e produção de combustíveis de menor intensidade de carbono.

Carports solares ampliam uso do estacionamento

Concluídas no fim de julho, as obras também ampliaram a capacidade do estacionamento do Portão 4, que passou de 235 para 270 vagas, um acréscimo de 35 espaços. Das vagas disponíveis, 144 estão protegidas pelas coberturas fotovoltaicas, que oferecem abrigo contra sol e chuva.

A estrutura combina, portanto, duas funções: a geração de eletricidade renovável e o aproveitamento da área já destinada ao estacionamento, sem exigir uma área exclusiva para a instalação dos módulos.

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