A nona edição do Latam Mobility México 2026 abriu suas portas com uma mensagem contundente: a eletromobilidade já não pode ser entendida apenas como uma transição tecnológica, mas como uma oportunidade para o desenvolvimento econômico, industrial e social do México e de toda a América Latina.
Durante a cerimônia de abertura, Rodolfo Osorio, responsável pelo Setor de Eletromobilidade da Secretaria de Economia, e Jorge Flores Ocaña, diretor-geral de Planejamento e Políticas da Secretaria de Mobilidade da Cidade do México, concordaram em um ponto central: o progresso de uma cidade se mede na vida das pessoas.
Ambos os funcionários inauguraram um encontro que reúne representantes da indústria, empresas de tecnologia, investidores, montadoras, empreendedores, acadêmicos, organismos de cooperação internacional, sociedade civil e autoridades de toda a região.
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Mobilidade: Direito Constitucional e Setor Estratégico
Em nome do secretário de Economia, Marcelo Ebrard Casaubón, Rodolfo Osorio transmitiu uma saudação cordial e o reconhecimento expresso do titular da pasta aos organizadores e participantes do encontro.
Osorio iniciou sua fala a partir de uma pergunta aparentemente simples, mas de grande profundidade: o que a mobilidade realmente significa para as pessoas? Sua resposta traçou o eixo de todo o seu discurso. «Durante cada viagem há uma pessoa, uma necessidade e uma oportunidade», sublinhou, ao advertir que com frequência os debates se concentram nos veículos, na infraestrutura e na tecnologia, deixando em segundo plano o que é verdadeiramente importante: as pessoas.
O responsável pela eletromobilidade lembrou que, no México, a mobilidade é um direito reconhecido na Constituição. O artigo 4º estabelece o direito de toda pessoa à mobilidade em condições de segurança viária, acessibilidade, eficiência, sustentabilidade, qualidade, inclusão e igualdade, o que impõe uma grande responsabilidade ao Estado e a todos os setores.
Para a Secretaria de Economia, explicou, a mobilidade é entendida não apenas como um direito, mas também como uma oportunidade para o desenvolvimento econômico e industrial do país e, sob a liderança do governo, impulsiona-se uma visão na qual o México não se limita a adotar tecnologias desenvolvidas em outras partes, mas desenvolve suas próprias capacidades produtivas, tecnológicas e de inovação.
Isso implica, em termos industriais, fortalecer a oferta nacional, aumentar o conteúdo nacional e regional, formar talento especializado, investir nos jovens e gerar melhores condições para as empresas mexicanas que participam dessa transformação.

MPMEs, Financiamento e Tecnologia Feita no México
Uma das ênfases de Rodolfo Osorio foi a necessidade de que a transformação industrial não dependa apenas das grandes empresas e fabricantes. «Precisamos que nossas MPMEs também sejam protagonistas, que se integrem às cadeias de valor e que sejam mais competitivas», afirmou. Para isso, disse, são necessários mais financiamento, incentivos, capacitação e desenvolvimento de fornecedores que permitam às micro, pequenas e médias empresas aproveitar as oportunidades industriais.
Nesse contexto, o funcionário apresentou duas linhas de ação que refletem a visão da Secretaria de Economia. A primeira é o desenvolvimento industrial e o fortalecimento das MPMEs, com iniciativas como ElectroPyME, desenvolvida em colaboração com a Nafin e a C40, que busca facilitar o financiamento para que as MPMEs possam incorporar veículos elétricos, modernizar suas frotas e melhorar sua competitividade na entrega de última milha e na mobilidade de bairro.
A isso se soma a assinatura de um Memorando de Entendimento (MOU) realizado em colaboração com a IFC do Banco Mundial e com a Indústria Nacional de Autopeças (INA) para um programa de desenvolvimento de fornecedores, cujo objetivo é fortalecer as capacidades das MPMEs mexicanas e facilitar sua integração às cadeias de valor.
A segunda linha é o desenvolvimento de tecnologia e soluções de mobilidade feitas no México. Osorio destacou dois projetos emblemáticos: o desenvolvimento de miniveículos com engenharia nacional e o TARUK, o ônibus elétrico mexicano desenvolvido por meio da cooperação entre a indústria, as instituições de pesquisa e o Governo do México, com o respaldo de bancos de desenvolvimento.
«Quando falamos de mobilidade e de eletromobilidade, falamos de tecnologia, competitividade, investimento e desenvolvimento industrial, mas, acima de tudo, falamos de como transformar tudo isso em melhores oportunidades e em uma melhor qualidade de vida para as pessoas e o meio ambiente», concluiu.
Cidade do México como Laboratório de Mobilidade Elétrica
Por sua vez, Jorge Flores Ocaña, diretor-geral de Planejamento e Políticas da Secretaria de Mobilidade (SEMOVI) da Cidade do México, proferiu as palavras de abertura em nome da chefe de governo Clara Brugada Molina e do secretário de Mobilidade Héctor Ulises García Nieto.
O funcionário deu as boas-vindas em nome de um governo que colocou a mobilidade pública no centro de seu projeto de transformação e afirmou que o encontro responde a uma decisão que marcará o futuro das cidades: como avançar para uma mobilidade que reduza emissões e, ao mesmo tempo, amplie as oportunidades de quem as habita.

Flores Ocaña advertiu que essa decisão exige capacidade de governança, investimentos sustentáveis, instituições que trabalhem juntas e uma compreensão profunda do que acontece todos os dias nas ruas, razão pela qual a eletromobilidade é uma decisão política de enorme alcance: quando o transporte público se moderniza, muda a relação de milhões de pessoas, e quando essa modernização chega aos territórios que mais precisam dela, o investimento público se torna uma ferramenta para reduzir desigualdades sociais.
O representante da Secretaria de Mobilidade celebrou que a Latam Mobility tenha nascido no México e que tenha construído uma comunidade de diálogo e ação na América Latina, com uma trajetória de mais de 50 encontros que demonstra a importância de reunir quem produz tecnologia, financia projetos, desenha políticas e opera os serviços.

Resultados Concretos: Metrobús, Trólebus, Metrô e Ecobici
Flores Ocaña respaldou sua mensagem com números da transformação em curso. No Metrobús, foram incorporados 34 ônibus 100% elétricos durante o período reportado, e a frota alcançou 74 unidades elétricas e biarticuladas, além da habilitação de seis pontos de recarga elétrica.
A dimensão ambiental desse esforço é mensurável: estima-se que a operação dessa frota evitou a emissão de 14.670 toneladas de dióxido de carbono entre janeiro e agosto deste ano. «Por trás desse número há uma política que vincula a qualidade do transporte à qualidade do ar e à saúde de nossa cidade», sublinhou.
O funcionário destacou também que, em 8 de maio, entrou em operação o Centro Bus denominado «Rota das Heroínas Indígenas», com 12 ônibus 100% elétricos, 13 carregadores elétricos e um investimento de 111 milhões de pesos, oferecendo mais de 88.400 viagens por mês. «É uma expressão de como a inovação pode ser incorporada ao serviço público com identidade e sentido social», disse.
A isso se soma o avanço da primeira fase da Linha Zero do Trólebus, para a substituição e eletrificação de até 72 unidades, com um orçamento de 86,4 milhões de pesos em apoio.
A modernização também alcança o transporte ferroviário, com a reabertura total da Linha 1 do Metrô, concluída em novembro de 2025. Em termos de ciclomobilidade, o Ecobici alcançou 687 estações de bicicletas e até 9.308 bicicletas, com uma média superior a 50.000 viagens diárias. «A bicicleta também é parte de uma cidade que oferece alternativas de deslocamento e permite combinar diferentes modos de transporte», apontou.

Declaração de Inauguração com Compromisso
O diretor-geral de Planejamento e Políticas da SEMOVI sustentou que a América Latina tem em suas cidades uma grande oportunidade de transformação e que a capital mexicana quer contribuir com experiência de execução, aprender com outras autoridades e fortalecer a cooperação regional.
Lembrou que a autoridade pública tem a responsabilidade de orientar o investimento para as necessidades da cidade e de buscar a coordenação institucional que permita que a infraestrutura, a energia, o financiamento e a operação avancem com um calendário compatível.
«O México tem muito a contribuir nessa transformação. A partir de sua capital, queremos fazê-lo com resultados, com vocação de cooperação e com uma convicção firme sobre o papel que o transporte público representa no desenvolvimento», afirmou.
No encerramento da cerimônia, Jorge Flores Ocaña declarou formalmente inaugurado o «Latam Mobility México 2026», com o desejo de que o encontro impulse acordos e soluções capazes de melhorar a vida em nossas cidades.
Com as falas de Rodolfo Osorio e Jorge Flores Ocaña, a nona edição do encontro foi aberta com uma mensagem compartilhada: a eletromobilidade é, ao mesmo tempo, uma obrigação constitucional, uma estratégia industrial e uma política social capaz de reduzir desigualdades e melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas no México e na América Latina.
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