Sete Autoridades, Uma Mesa e um Diagnóstico: O Que Falta para Acelerar a Mobilidade Elétrica no México

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O Latam Mobility México 2026 foi palco do painel «Liderança Pública Regional: Governança, Nearshoring e o Marco 2027», um espaço que reuniu pela primeira vez em uma mesma mesa duas autoridades federais, quatro estaduais e uma municipal para discutir, sem rodeios, o que falta para que o México avance mais rápido na mobilidade elétrica.

Moderado por Adriana Lobo, diretora-geral de Presença Global e Ação Local do World Resources Institute (WRI), o painel contou com a participação de:

  • Alejandro Hernández Fonseca, subsecretário de Atração de Investimentos do Estado de Guanajuato;
  • David Aysa de Salazar, secretário de Mobilidade e Infraestrutura do Município de Puebla;
  • Jorge Flores Ocaña, diretor-geral de Planejamento e Políticas da Secretaria de Mobilidade da Cidade do México;
  • Marco Antonio Del Prete, secretário de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Querétaro;
  • Rafael Hernández, diretor-geral do Instituto de Mobilidade do Estado de Quintana Roo;
  • Rodolfo Osorio, responsável pelo Setor de Eletromobilidade da Secretaria de Economia do México;
  • Vianey Macías Martínez, diretora de Mobilidade e Transporte da Comissão Nacional para o Uso Eficiente da Energia (CONUEE).

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Guanajuato: Segurança Institucional e um Cluster Consolidado

Alejandro Hernández Fonseca, subsecretário de Atração de Investimentos do Estado de Guanajuato, sustentou que a primeira coisa que deve ser oferecida a um investidor interessado no México é acompanhamento institucional, um Estado de direito que blinde os investimentos e segurança jurídica.

O funcionário destacou que Guanajuato oferece inclusão direta em um ecossistema já existente, com empresas que fabricam carregadores de veículos elétricos, componentes de bateria, bases metálicas para motores elétricos, sistemas de gestão térmica e sistemas de resfriamento, além de componentes para condução autônoma.

Trata-se de um cluster consolidado de mais de 500 empresas, o que reduz significativamente a curva de aprendizado para fazer negócios. No entanto, reconheceu uma tarefa pendente como país: «como fazemos para que as MPMEs se integrem a essas cadeias produtivas e façam parte dos diferentes clusters».

Além disso, Hernández Fonseca argumentou que a eletromobilidade deve ser vista como tendo dois efeitos diretos: por um lado, fomenta a descarbonização e a sustentabilidade, e, por outro, constitui um negócio e um cluster em si mesma. Comemorou que o Plano México tenha dado à eletromobilidade «um lugar à mesa», como ocorreu com o setor automotivo, o aeronáutico ou o de dispositivos médicos.

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Querétaro: Descarbonização, Talento e Democratização do Veículo Elétrico

Marco Antonio Del Prete, secretário de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Querétaro, explicou que o principal desafio de sua pasta é promover o desenvolvimento econômico dos habitantes por meio do cuidado com o meio ambiente, o que implica descarbonização, redução de emissões de CO2 e uma abordagem de economia circular. Foi enfático em um ponto: «não precisamos de menos regras, precisamos de melhores regras», e estas devem surgir de uma coordenação entre os três níveis de governo.

O funcionário identificou no mercado um fator decisivo: a democratização dos veículos elétricos. Reconheceu que houve uma queda no preço dos veículos elétricos e híbridos plug-in, mas advertiu que, para transitar para uma eletromobilidade pura, são necessários carregadores acessíveis e disponíveis ao longo dos diferentes percursos, não apenas nas cidades.

Del Prete acrescentou um segundo eixo: o talento. Apontou que são necessárias carreiras específicas e fomento à indústria do desenvolvimento, pois «não podemos ficar apenas importando peças ou dispositivos que vêm de outros países». Advertiu que, diante de um ambiente político internacional em mudança, um movimento nas cadeias de fornecimento poderia afetar a indústria da eletromobilidade, como já ocorreu em outras ocasiões.

Sua proposta foi clara: fomentar a instalação de infraestrutura e desenvolver tecnologia própria que permita ao país ser independente e autônomo. Por fim, explicou que os três principais geradores de CO2 em Querétaro são a energia elétrica, o transporte e a indústria, e que, enquanto a indústria é combatida com instrumentos concretos como um imposto, o transporte é abordado com políticas públicas de incentivo à eletromobilidade e ao transporte público eficiente.

A Demanda como Ponto de Partida

Por sua vez, Rafael Hernández, diretor-geral do Instituto de Mobilidade do Estado de Quintana Roo, sustentou que a coisa mais importante que se pode oferecer a um investidor é a demanda. «Se não há demanda, nada do que eles façam serve», afirmou, e acrescentou que «para gerar essa demanda, a responsabilidade é do governo».

Hernández lembrou os casos do Chile, da Colômbia e do Brasil, e o exemplo da China, onde já não se pode mais emplacar um veículo a diesel porque o crescimento de emplacamentos está limitado: quem quer um veículo precisa optar por um elétrico. «Por si só, as pessoas dificilmente vão assumir os custos de investimento de um veículo elétrico», sublinhou.

Seu segundo ponto foram os incentivos ao Capex: explicou que praticamente todas as cidades da América Latina que desenvolveram frotas elétricas o fizeram porque houve uma política industrial muito forte de apoio ao investimento em eletropostos, parques fotovoltaicos e carregadores. «Você chegava ao concessionário e dizia: vou te apoiar no Capex, e daí começa a transição». Em terceiro lugar, pediu antecipar os incentivos que uma frota elétrica oferece aos usuários.

Quanto à oferta, Hernández disse: «a primeira coisa que se tem de oferecer ao investidor é uma política industrial como país, que hoje não temos»; e lembrou que a China não se desenvolveu porque um governo municipal decidiu fomentar a atração de investimentos, mas porque, há 25 anos, o governo federal fez uma política industrial por meio de seu Ministério da Economia e fomentou toda a cadeia.

E acrescentou uma reflexão: «o tema ambiental é uma consequência muito positiva de uma política industrial de eletromobilidade», mas quem deve liderá-la é infraestrutura ou economia, não apenas o setor ambiental.

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Puebla: O Desafio de um Município do Tamanho de um Estado

David Aysa de Salazar, secretário de Mobilidade e Infraestrutura do Município de Puebla, trouxe a perspectiva municipal com dados concretos. Lembrou que a capital Puebla tem quase 1,8 milhão de habitantes, com uma taxa de crescimento populacional de 12.000 pessoas por ano e uma taxa de crescimento veicular de quase 18.000 veículos por ano, o que gera desafios importantes de crescimento ordenado e de aproximação de serviços aos novos polos de desenvolvimento.

O funcionário apresentou três programas: «Ruas 100%», com um investimento de mais de 1,5 bilhão de pesos para quase 5.000 ruas novas; «Semáforos 100%», com o qual os semáforos da cidade foram centralizados e aumentaram 50%; e «Entornos de Mobilidade Segura». Mas o dado mais duro que compartilhou foi que ainda faltam pavimentar 11.250 ruas na capital Puebla. «Não temos de viver de diagnósticos, mas temos de saber de onde partimos e ter claro para onde queremos chegar», disse.

Acrescentou que trabalham com os três níveis de governo, de mãos dadas com o governo do estado e com o apoio da Pemex, que doa asfalto para tornar as obras mais econômicas. Em matéria ciclística, informou que encontraram 110 quilômetros de infraestrutura útil, que aumentou 10% em dois anos, e que hoje 42% da infraestrutura existente está consolidada em bom estado.

Aysa abordou também o marco regulatório municipal com franqueza: «não precisamos de mais regulações, mas de melhores». Explicou que a capital Puebla é maior que cinco entidades federativas, mas opera com orçamento de município, e que o artigo 115 constitucional lhe confere competências em transporte, embora não especificamente em transporte público, que é gerido em nível estadual. Por isso, disse, estão influenciando as regulações de desenvolvimento urbano para que cada novo projeto que chegue à cidade tenha um impacto positivo na mobilidade.

Cidade do México: Incentivos, Táxis Elétricos e Novas Formas de Mobilidade

Representando a Secretaria de Mobilidade da Cidade do México, cujo titular é Héctor Ulises García Nieto, interveio Jorge Flores Ocaña, diretor-geral de Planejamento e Políticas, que resumiu três ações imediatas: ampliar a capacidade de transporte público, acelerar a substituição de ônibus poluentes por unidades elétricas e conectar melhor as diferentes opções de mobilidade.

Flores Ocaña detalhou que a pasta impulsiona a eletrificação do Metrobús, o fortalecimento do transporte público elétrico em geral e projetos em coordenação com a Secretaria de Obras e Serviços, a Secretaria de Transportes Elétricos e a Rede de Transporte de Passageiros (RTP).

Destacou que em 2025 foi publicado um programa de incentivos para renovar táxis, que apoia os concessionários que substituem unidades antigas por táxis híbridos ou elétricos, com um bônus de até 200.000 pesos para a aquisição.

Mencionou também que em 2026 houve avanço no registro de veículos elétricos motorizados individuais, e que o teste-piloto do sistema de transporte individual denominado «SiTIS» registrou aproximadamente 117.183 viagens em apenas 60 dias.

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O Plano México e a Eletromobilidade como Setor Estratégico

Rodolfo Osorio, responsável pelo Setor de Eletromobilidade da Secretaria de Economia, explicou que a política industrial do Governo Federal é canalizada por meio do Plano México, que contém elementos fundamentais. O primeiro é a coordenação interinstitucional entre dependências federais e uma relação estreita com os governos estaduais e municipais.

O segundo, e o mais relevante a seu ver, é que pela primeira vez a eletromobilidade e o setor automotivo são reconhecidos como setores estratégicos do desenvolvimento industrial do país, o que permite ver todo o ecossistema: a parte automotiva, a incorporação das MPMEs às cadeias de valor, o sistema de transporte público e a infraestrutura de carregamento, além da regulação e das normas de maneira transversal.

Osorio enfatizou o transporte público como a grande oportunidade, e deu como exemplo o projeto de Chetumal, que classificou como «um projeto 360 graus» porque integra banca de desenvolvimento, infraestrutura de carregamento por meio de um parque fotovoltaico e ônibus mexicanos Taruk, e pediu que outras cidades e outros estados deem oportunidade à inovação e ao desenvolvimento nacional.

Em seu encerramento, mencionou também o miniveículo elétrico Olinia, desenvolvido no México, e afirmou que «já não partimos de zero», pois existem experiências internacionais que podem ser adotadas.

A Energia no Centro: Eficiência, Normatividade e Última Milha

Vianey Macías Martínez, diretora de Mobilidade e Transporte da Comissão Nacional para o Uso Eficiente da Energia (CONUEE), advertiu que a chegada de novos investimentos e empresas produtivas não vem sozinha: traz consigo uma demanda de energia para as cadeias logísticas que surgem do nearshoring.

Por isso, o verdadeiro desafio, disse, é como atender a esse crescimento sem que ele se traduza em um crescimento equivalente do consumo energético, e como fazer um uso ótimo da energia nas cadeias e redes de mobilidade de mercadorias e de pessoas.

A funcionária informou que a CONUEE trabalha em propostas de regulamentação sobre a eficiência de combustível de veículos pesados, a fim de estabelecer uma linha de base que permita identificar quanta energia se consome. No âmbito urbano, apontou que a rede de sistemas de transporte integrado é sólida, mas que o usuário sempre busca cumprir tempos e ajustar seus trajetos, razão pela qual a eletromobilidade pode ser potencializada na última milha.

Sua proposta final foi que os usuários sejam conscientes da energia que utilizam em suas viagens no dia a dia e de como podem otimizar seus tempos e fazer um uso eficiente da energia. Diante da pergunta direta da moderadora sobre se há energia suficiente, Macías respondeu: «temos de fazer esforços especiais, evidentemente, mas não é impossível».

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Um Convite a Ver o Problema como Oportunidade

Em sua mensagem de encerramento, Adriana Lobo retomou a ideia que atravessou todo o painel: «quando a China ou outros superam o problema e começam a vê-lo como uma oportunidade», ocorre a transformação.

A diretora de Presença Global e Ação Local do WRI apontou que o limite planetário das mudanças climáticas e os desafios sociais podem ser vistos como problemas, mas «sempre está o outro lado: qual é a grande oportunidade que temos de transformar nossa sociedade, de sermos mais competitivos e de construir um planeta em que possamos estar dentro dos limites para ter uma boa vida».

Sua conclusão foi um convite à coordenação: «as soluções de antes, com a abordagem setorial, bastavam; hoje se exige realmente que mais atores se sentem à mesa, de maneira mais coordenada, para dar soluções mais rápidas».

Com sete autoridades dos três níveis de governo em uma mesma mesa, o painel «Liderança Pública Regional: Governança, Nearshoring e o Marco 2027» deixou uma mensagem clara para «Latam Mobility México 2026»: a eletromobilidade já não é apenas uma política ambiental, é uma política industrial, econômica e social, e sua velocidade dependerá da capacidade de coordenação do Estado mexicano.

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