A Placas do Brasil e a Engie Brasil Energia submeteram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma operação de autoprodução de energia envolvendo sete usinas do complexo fotovoltaico Assú Sol, no Rio Grande do Norte. O Ato de Concentração nº 08700.008855/2026-41 envolve as usinas Assú Sol 4, 6, 10, 11, 13, 14 e 15, que somam 340,5 MW de capacidade instalada.
Conforme publicado pela pv magazine Brasil em janeiro de 2025, o Assú Sol recebeu investimento de aproximadamente R$ 3,3 bilhões e foi desenvolvido pela Engie para reunir 16 parques fotovoltaicos, com capacidade total de 895 MWp (752 MWac) e geração comercial estimada em 228,7 MW médios. A primeira usina, de 40,5 MW, iniciou a operação comercial em janeiro daquele ano, com a energia destinada ao mercado livre.
Desde então, o empreendimento avançou até atingir 100% de operação comercial em fevereiro de 2026. Com 229,6 MW médios de geração, o complexo se tornou o maior projeto solar da Engie em operação no mundo.
Energia própria para reduzir a conta em R$ 10 milhões ao ano
Na nova operação, a Placas do Brasil terá 40% de participação na holding que reunirá os sete ativos. A energia será destinada ao consumo próprio da indústria, que já está conectada à rede de alta tensão.
Segundo a US Capital, responsável pela originação e estruturação da operação, as usinas apresentam geração estimada de aproximadamente 101 MW médios no cenário P90. A economia projetada para a Placas do Brasil é de cerca de R$ 10 milhões por ano, equivalente a aproximadamente 16,7% de seu orçamento anual de energia, estimado em R$ 60 milhões.
A estruturação também aproveitou contratos de fornecimento de energia já existentes da indústria. Para isso, foi desenvolvido um modelo de swap energético que permitiu compatibilizar esses compromissos com a nova estrutura de autoprodução.
O projeto começou a ser desenvolvido em dezembro de 2025, em meio à transição regulatória estabelecida pela Lei nº 15.269/2025 para a autoprodução por equiparação. De acordo com a US Capital, o cronograma exigiu a coordenação das negociações comerciais e da estruturação jurídica para o enquadramento da operação na regra de transição.
Da produção de MDF à estratégia de energia
A Placas do Brasil é uma indústria brasileira especializada na produção e comercialização de painéis de MDF, com fábrica em Pinheiros, no norte do Espírito Santo. A companhia informa possuir uma área de 665 mil m², com cerca de 200 mil m² de área construída, e utilizar madeira de eucalipto proveniente de florestas renováveis. A empresa também utiliza biomassa e resíduos de madeira para geração de energia térmica em seu processo industrial.
A companhia produz MDF natural e revestido e tem como foco a integração de práticas de sustentabilidade à operação industrial. Nesse contexto, a autoprodução de energia passa a integrar sua estratégia de suprimento, com potencial de reduzir custos e aumentar a previsibilidade das despesas de energia no longo prazo.
A US Capital conduziu a operação desde a identificação da oportunidade e as negociações comerciais até a modelagem energética e a coordenação das estruturas jurídica, societária e contratual. A consultoria foi fundada por Lucas Mendes e Maria Elisa Pimenta e tem atuação voltada a projetos especiais no setor elétrico, incluindo autoprodução, subestações dedicadas e estruturas de geração para consumidores.
Com o protocolo no Cade, a operação entra em uma nova etapa de análise antes da conclusão do negócio.



