Trina Storage mira 50% do mercado nos leilões de baterias e define estratégia de conteúdo local

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A Trina Storage pretende conquistar até 50% do volume contratado nos leilões de reserva de capacidade para sistemas de armazenamento de energia previstos para dezembro. A estratégia inclui a oferta da plataforma Elementa 3, reforço da estrutura local e parcerias com fornecedores brasileiros para atender às exigências de conteúdo nacional previstas no edital.

Segundo a gerente de vendas da Trina Storage na América Latina, Mariana Goudel, a companhia mantém o foco em projetos de grande porte e vê os leilões como o principal vetor de negócios para o segmento de utility nos próximos meses. “O objetivo da Trina é levar 50% do leilão”, disse ela à pv magazine Brasil durante a feira Intersolar South America 2026, que acontece entre os dias 25 e 27 de agosto em São Paulo (SP).

A executiva explica que a empresa já trabalha com uma carteira de mais de 50 clientes no mercado brasileiro, incluindo grandes geradoras, desenvolvedores, bancos, fundos de investimento e empresas de transmissão, que envolvem mais de 100 GWh de projetos de armazenamento. Para atender à demanda associada aos leilões, a companhia mantém no Brasil uma equipe técnica, financeira, de logística e de recursos humanos dedicada ao segmento.

A aposta tecnológica para o leilão é a plataforma Elementa 3, com equipamentos de 5 MWh e 6,25 MWh. A plataforma está entrando em produção em setembro deste ano, com as primeiras baterias previstas para sair da linha de manufatura ainda em 2026.

“Para o leilão do próximo ano se mantém Elementa 3. Ano passado era uma grande novidade, uma nova plataforma. Esse ano, não, é um equipamento que já está entrando na linha de manufatura, agora em setembro deste ano”, disse Goudel. A executiva acrescentou que a Trina já comercializou mais de 2,5 GWh para os dois leilões de armazenamento realizados na Argentina e pretende levar a experiência adquirida no país para o mercado brasileiro.

Regras para dimensionar degradação dos sistemas

Uma das diferenças identificadas pela Trina entre os mercados brasileiro e argentino está na forma de lidar com a degradação das baterias ao longo do contrato. Na Argentina, segundo Goudel, os projetos são remunerados considerando a capacidade disponibilizada desde o início e podem ser dimensionados inicialmente para cinco horas, chegando ao final do contrato de 15 anos com cerca de 4,2 horas de duração sem a necessidade de uma expansão adicional.

No Brasil, a estratégia deverá ser diferente. Como o modelo não remunera uma capacidade adicional acima do requisito contratado, a companhia avalia o uso de sobredimensionamento inicial e expansões posteriores, ou augmentation, para manter a capacidade do sistema ao longo da vida útil do projeto.

A configuração, porém, não será padronizada. A Trina pretende adaptar o cronograma de reposição e expansão ao modelo financeiro de cada projeto, considerando fatores como fluxo de caixa, desembolso de capital e frequência desejada de manutenção.

“Pode ser que valha mais a pena um pouquinho mais de bateria no início e deixar um aumento para o oitavo ano, por exemplo. Ou pode ser que um cliente peça uma manutenção a cada dois anos. É uma estratégia de cada um”, comentou Goudel.

Conteúdo nacional

A Trina também já definiu uma estratégia para atender às regras de conteúdo nacional do leilão. A empresa mantém reuniões com potenciais parceiros brasileiros para o fornecimento de PCS, sistemas de gerenciamento de energia e outros componentes necessários à solução.

“Nós já temos um plano certeiro para conseguir. Nós temos reuniões regulares com BNDES dos possíveis parceiros para PCS, para EMS, para BMS e os componentes necessários. Já para esse leilão”, disse a executiva.

A companhia pretende utilizar a estrutura da Trina Tracker, empresa do grupo já estabelecida no país, para avançar no processo de credenciamento e financiamento. Segundo Goudel, a Trina Tracker possui cadastro no BNDES e equipamentos com financiamento Finame, o que poderá contribuir para que a solução de armazenamento cumpra os prazos do leilão.

A estratégia prevê o uso da primeira rota de nacionalização estabelecida pelo BNDES, com o atendimento de três itens, sendo um deles estratégico, além de um percentual mínimo de 15% no índice de nacionalização. A companhia avalia utilizar o PCS, componentes elétricos e o EMS entre os itens considerados estratégicos.

Segundo ela, a Trina já desenvolveu parceiros locais, mas os nomes ainda não podem ser divulgados porque os contratos estão em fase de assinatura.

A empresa considera o cronograma de cadastramento especialmente relevante, já que pretende estar apta a participar desde o primeiro leilão previsto para 2 de dezembro. Para Goudel, a preparação antecipada é necessária diante da possibilidade de o volume contratado ser definido já na primeira etapa.

“A Trina entende que estar no primeiro dia do leilão, no dia 2 de dezembro, é chave. Pode ser que nem chegue a ter o leilão do dia 4. Então, isso é um ponto muito relevante e a gente entende que necessita estar, sim ou sim, nesse leilão do dia 2 com um equipamento competitivo”, afirmou.

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