HyperStrong aposta em experiência global e segurança para disputar oportunidades do leilão de armazenamento no Brasil

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O avanço da regulamentação do armazenamento de energia no Brasil e a realização do primeiro Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) com participação de sistemas de baterias estão acelerando a movimentação de fornecedores globais no mercado nacional. Entre eles está a HyperStrong, empresa chinesa especializada exclusivamente em sistemas de armazenamento de energia (BESS), que vê no certame previsto para dezembro um marco semelhante ao que os primeiros leilões representaram para a expansão da energia eólica e solar no país.

Durante webinar em parceria com a pv magazine Brasil, executivos da companhia destacaram que o leilão poderá inaugurar um novo ciclo de investimentos em infraestrutura elétrica, contribuindo para reduzir cortes de geração renovável, ampliar a flexibilidade operativa do sistema e reforçar a segurança energética nacional.

O LRCAP de armazenamento é considerado pelo setor um passo decisivo para a inserção das baterias no Sistema Interligado Nacional (SIN). O certame prevê a contratação de potência a partir de sistemas capazes de fornecer energia por quatro horas consecutivas, com expectativa de atrair bilhões de reais em investimentos e viabilizar os primeiros projetos de grande porte do país. A iniciativa é uma resposta ao crescente curtailment das fontes renováveis, sobretudo solar e eólica, e à necessidade de ampliação da flexibilidade operativa do sistema elétrico brasileiro.

“Quando a eólica começou no Brasil, ela teve um impulso importante por meio dos leilões. O mesmo aconteceu com a solar. Agora estamos diante de um momento semelhante para o armazenamento. O mercado passa a ter uma perspectiva concreta de crescimento e isso traz segurança para investidores, desenvolvedores e fornecedores”, afirmou Ruy Lima, diretor da HyperStrong para o Brasil.

Segundo ele, a publicação das diretrizes do certame permite que agentes do setor avaliem estratégias para posicionamento competitivo no mercado. “O armazenamento passa a ser uma peça fundamental para lidar com uma matriz cada vez mais renovável e, ao mesmo tempo, mais variável”, disse.

Experiência internacional em projetos de grande porte

Fundada há mais de 15 anos e focada exclusivamente em armazenamento de energia, a HyperStrong afirma já ter implantado mais de 50 GWh em mais de 400 projetos ao redor do mundo, ocupando posição de liderança no mercado chinês.

Entre os exemplos apresentados durante o webinar está um conjunto de três projetos conectados à rede na região da Mongólia Interior, na China, que totalizam 7,4 GWh de capacidade instalada. Os empreendimentos foram concluídos em pouco mais de cinco meses e incluem sistemas de 2 GWh, 3 GWh e 2,4 GWh destinados ao suporte da rede elétrica e à integração de fontes renováveis. Segundo a empresa, os projetos foram desenvolvidos para operar em condições climáticas extremas, com baixas temperaturas, ventos fortes e tempestades de areia, utilizando sistemas de armazenamento com refrigeração líquida e arquitetura avançada de proteção elétrica e contra incêndios.

Durante o webinar, Cesar Frota, gerente de Desenvolvimento de Negócios para o Canadá, ressaltou que a expansão internacional da companhia tem ocorrido de forma acelerada nos últimos anos.

“Temos operações consolidadas na Europa, Estados Unidos e Canadá e estamos ampliando nossa presença na América Latina. Recentemente conquistamos um projeto no Peru e já temos seis projetos em desenvolvimento no México, demonstrando nossa capacidade de atender diferentes mercados e condições operacionais”, afirmou.

Segundo ele, a experiência acumulada em regiões com climas extremos ajuda a validar o desempenho das soluções da empresa.

“Temos projetos operando desde regiões extremamente frias no Canadá até ambientes áridos e quentes no oeste da China. Essa diversidade operacional contribui para comprovar a robustez tecnológica dos sistemas”, disse.

HyperBlock 3 mira bancabilidade e segurança

Entre as soluções apresentadas pela empresa, o HyperBlock 3 foi apontado como a principal plataforma voltada para projetos de grande porte e para aplicações associadas ao futuro leilão brasileiro.

O sistema utiliza contêineres de 20 pés com capacidade de 5 MWh, refrigeração líquida e integração completa dos componentes ainda em fábrica, reduzindo riscos de montagem em campo. A plataforma suporta aplicações com duração de duas a oito horas e foi projetada para operar em temperaturas entre -40°C e 55°C.

Segundo Ignacio Mena, gerente de Soluções Técnicas para a América Latina, um dos principais diferenciais do equipamento é o conjunto de certificações internacionais, incluindo UL 1973, UL 9540 e UL 9540A, além da conformidade com a norma NFPA 855, amplamente utilizada como referência para projetos de armazenamento nos Estados Unidos.

“O HyperBlock 3 foi desenvolvido para oferecer alta confiabilidade operacional, desempenho comprovado e os requisitos de segurança exigidos por financiadores, seguradoras e operadores de rede”, afirmou.

Segurança contra incêndios ganha relevância

Um dos temas centrais da apresentação foi a segurança operacional dos sistemas de armazenamento.

Mena destacou que o HyperBlock 3 passou pelo chamado Large Scale Fire Test, ensaio que avalia o comportamento de sistemas BESS em condições extremas de incêndio.

“O teste responde a uma pergunta simples: se um contêiner pegar fogo, o incêndio se espalha para as unidades vizinhas? No nosso caso, a resposta foi não”, explicou.

Segundo o executivo, o ensaio foi realizado com cinco unidades instaladas em configuração semelhante à utilizada em projetos comerciais. O fogo foi iniciado deliberadamente em um dos sistemas operando com carga máxima, enquanto os equipamentos adjacentes permaneceram íntegros.

“As temperaturas permaneceram estáveis nas unidades vizinhas e não houve propagação do incêndio. Isso é fundamental para atender às exigências de seguradoras, órgãos licenciadores e investidores”, afirmou.

Cesar Frota acrescentou que a certificação já é um requisito para projetos de grande porte em mercados como Canadá e Estados Unidos.

“Em vários mercados você simplesmente não consegue aprovar um projeto utility scale sem esse tipo de validação. Além da segurança, isso reduz custos associados a medidas adicionais de proteção e facilita a obtenção de seguros”, destacou.

Bancabilidade deve ser diferencial competitivo

Na avaliação da HyperStrong, o primeiro leilão brasileiro de armazenamento não será definido apenas pelo menor preço ofertado.

Para Lima, aspectos como eficiência energética, desempenho ao longo da vida útil, histórico operacional e qualidade dos componentes terão peso crescente nas análises de financiadores e investidores.

“Não basta olhar apenas para o custo inicial do equipamento. É preciso avaliar a capacidade de cumprir requisitos de eficiência, disponibilidade e desempenho durante toda a operação. Uma escolha inadequada pode comprometer a rentabilidade futura do empreendimento”, afirmou.

Frota acrescentou que a análise de bancabilidade normalmente inclui a procedência das células, a curva de degradação, os indicadores de desempenho e o histórico de operação da tecnologia utilizada.

“Os bancos analisam a qualidade das células, o track record da solução e os resultados já obtidos em projetos semelhantes. Esses fatores são determinantes para o financiamento de sistemas de armazenamento”, disse.

A empresa também oferece contratos de operação e manutenção de longo prazo, incluindo garantias de disponibilidade e desempenho por até 20 anos.

Mercado brasileiro entra em nova fase

Embora considere que o principal obstáculo regulatório esteja sendo superado, a HyperStrong avalia que o desenvolvimento do mercado nacional ainda exigirá avanços em capacitação profissional, engenharia especializada e definição de requisitos relacionados ao conteúdo local.

“O Brasil possui excelentes empresas de consultoria e engenharia. O próximo passo será ampliar a qualificação das equipes responsáveis pela implantação e operação dos sistemas. Estamos investindo nessa estrutura para apoiar o crescimento sustentável do mercado”, afirmou Lima.

Segundo o executivo, a companhia já estrutura sua equipe local para atender à demanda esperada após o leilão.

“Queremos trazer para o Brasil a mesma experiência que construímos na China, Europa e América do Norte. O armazenamento será uma peça central da transição energética brasileira e queremos participar desse processo desde o início”, concluiu.

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