A empresa aposta na expansão logística com nova unidade no Nordeste e no avanço do armazenamento de energia como eixo estratégico, em um mercado de distribuição solar que passa por consolidação e busca novos modelos de crescimento.
A distribuidora paranaense Solmais avalia que o mercado brasileiro de energia solar entra em uma nova etapa marcada pela consolidação do setor e pela expansão de soluções de armazenamento de energia. A empresa, fundada em novembro de 2020 e sediada em Maringá (PR), afirma que o cenário atual favorece modelos de negócio mais estruturados e com maior diversificação de portfólio.
En entrevista à pv magazine Brasil para o Especial de Distritubição 2026, o diretor de negócios da companhia, Joaquim Fernandes, exploica que o ano de 2025 representou uma espécie de “seleção natural” no mercado solar brasileiro. Mudanças regulatórias, aumento de tributos e restrições de conexão relacionadas à inversão de fluxo comprimiram a atividade e expuseram fragilidades em algumas operações.
“Esse movimento acabou filtrando o mercado. As empresas com estrutura sólida e proposta de valor clara continuam operando e devem liderar o próximo ciclo de crescimento”, afirma Fernandes.

Imagem: Solmais
Apesar desse período de ajustes, a expectativa da empresa é de recuperação e expansão do setor a partir de 2026. O executivo destaca que o Brasil já ultrapassa 3,9 milhões de unidades consumidoras com geração distribuída conectadas à rede, o que cria uma base instalada relevante para novas soluções energéticas.
Nesse contexto, o armazenamento de energia desponta como a principal frente de crescimento. De acordo com Fernandes, a redução recente no custo das baterias de lítio tornou os sistemas híbridos economicamente competitivos, mantendo o retorno financeiro em patamares semelhantes aos observados no mercado on-grid há alguns anos.
“As baterias chegaram a um ponto de custo que torna o sistema híbrido tão competitivo quanto o sistema on-grid era em 2023, com payback próximo de três anos”, afirma.
Além da economia, a demanda crescente por segurança energética também tem impulsionado esse mercado. Dados recentes apontam aumento nas reclamações de consumidores relacionadas a interrupções no fornecimento de energia, fator que reforça o interesse por soluções que garantam continuidade de operação em residências, comércios e indústrias.
Para acompanhar esse cenário, a Solmais planeja ampliar sua estrutura logística no país. Atualmente, a empresa atende integradores em todos os estados brasileiros a partir de seu centro de distribuição em Maringá.
Como parte da estratégia de expansão, a companhia prevê inaugurar em abril de 2026 uma nova unidade em Cabo de Santo Agostinho (PE), voltada a acelerar a entrega de equipamentos e ampliar a presença no Nordeste, região considerada estratégica para o crescimento da geração solar.
No portfólio, a distribuidora trabalha com módulos fotovoltaicos de fabricantes como Era Solar e Longi Solar, além de inversores on-grid da Sungrow e Growatt e microinversores da Hoymiles. Já no segmento de armazenamento, considerado o principal eixo de diferenciação da empresa, a oferta inclui inversores híbridos e off-grid Luxpower e Must, baterias de lítio da Luxpower e Moura e sistemas BESS da Sungrow.
A empresa também atua no mercado de eletromobilidade com carregadores rápidos em corrente contínua da Growatt, com potências de até 40 kW, além de estruturas de fixação da Pratyc.
Entre os lançamentos previstos para 2026 estão novos inversores EcoHíbridos desenvolvidos para diferentes configurações de rede elétrica brasileiras — incluindo versões trifásicas 220 V e 380 V e bifásicas 127 V — além de uma bateria de lítio do tipo wallbox com capacidade de 14,3 kWh e até 8.000 ciclos de vida útil.
Para a Solmais, o papel das distribuidoras também vem mudando no setor solar. Em vez de atuar apenas como fornecedoras de equipamentos, essas empresas passam a oferecer um conjunto mais amplo de serviços voltados ao crescimento dos integradores.
Entre os diferenciais citados pela empresa estão a oferta de crédito por meio do programa SolmaisCred — baseado em leasing operacional —, suporte técnico especializado, logística com parceiros regionais em todos os estados e programas de fidelidade que oferecem cashback de até 2,5% sobre as compras realizadas pelos integradores.
“Hoje a escolha do integrador não se baseia apenas no preço. Logística eficiente, crédito facilitado, suporte técnico e ferramentas que aumentem a rentabilidade do negócio passaram a ter peso decisivo”, afirma Fernandes.
Na avaliação da empresa, o mercado de distribuição de equipamentos fotovoltaicos tende a passar por um processo gradual de consolidação nos próximos anos, com maior concentração em players capazes de oferecer estrutura logística, serviços e portfólios mais completos.
Ao mesmo tempo, o armazenamento de energia deve se tornar a principal fronteira de crescimento do setor. A combinação entre queda no custo das baterias, demanda crescente por continuidade energética e a ampla base de sistemas solares já instalados cria oportunidades para novos modelos de negócio e serviços energéticos.
“Existe um mercado potencial enorme que começa a ser explorado agora. O armazenamento será a grande fronteira de crescimento do setor solar brasileiro nos próximos cinco anos”, conclui o diretor de negócios da Solmais.



