Segundo a consultoria meteorológica Tempo OK, 8 estados registraram queda significativa na irradiância, com destaque para Minas Gerais, onde a baixa incidência de sol pode ter comprometido o desempenho das usinas.
A passagem contínua de frentes frias e áreas de instabilidade em fevereiro deixou grande parte do Brasil com um céu mais encoberto, reduzindo a radiação solar e impactando a geração de energia fotovoltaica. Segundo a consultoria meteorológica Tempo OK, 8 estados registraram queda significativa na irradiância, com destaque para Minas Gerais, onde a baixa incidência de sol pode ter comprometido o desempenho das usinas. Outros estados afetados foram São Paulo, Bahia e Pernambuco, com anomalia média de -0,45 kWh/m²dia em diversos pontos.
O início do mês foi marcado pela formação de um ciclone na costa da Região Sudeste, que intensificou a nebulosidade e provocou chuvas especialmente no Rio de Janeiro, Espírito Santo e leste de Minas Gerais. “Mesmo com os maiores volumes concentrados nessas áreas, as nuvens avançaram para o interior dos estados devido às altas temperaturas e umidade disponível na atmosfera”, explica Jorge Rosas, meteorologista da Tempo OK.
Entre os dias 6 e 11 de fevereiro, um corredor de umidade reforçou o transporte contínuo de vapor d’água entre as regiões Sudeste e Norte do país, mantendo o tempo instável e os índices de nebulosidade elevados. Situação semelhante voltou a ocorrer entre os dias 25 e 28, quando um novo corredor de umidade se estabeleceu, prolongando as condições favoráveis à formação de nuvens e precipitações.
No Nordeste, o sistema meteorológico que manteve a nebulosidade recorrente foi o Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), posicionado sobre o continente na maior parte do mês. A circulação de ventos associada a borda do VCAN favoreceu a formação frequente de nuvens, reforçando o padrão de nebulosidade persistente.
“O comportamento da atmosfera ao longo de fevereiro evidencia como a variabilidade meteorológica pode impactar diretamente o setor elétrico, especialmente em um país com matriz cada vez mais dependente da energia solar”, ressalta Rosas. Apesar de oscilações serem esperadas ao longo do ano, a persistência de dias encobertos reduz de forma significativa o potencial de geração, especialmente em estados com grande concentração de usinas fotovoltaicas.
Para março, a expectativa é a transição para o período seco, mas o monitoramento contínuo das condições climáticas continua sendo essencial para o planejamento energético e para garantir a gestão eficiente da oferta de energia nas próximas semanas.



